cada bola mata um, prá galinha e pró perú, quem está livre és mesmo... tu!

11.8.06

de [merecidas] férias

durante 15 dias.

7.8.06

opinião

No JN de hoje vem publicado um artigo de opinião de Francisco José Viegas que merece destaque e que vale a pena ler (não é pela qualidade intrínseca do texto, mas pela mensagem que passa). Ao que parece, e segundo a Comissão Europeia (depois de questionada por uma eurodeputada a propósito de um anúncio para recrutamento de pessoal publicado por uma empresa irlandesa), eliminar fumadores numa candidatura a emprego não é discriminação, mesmo que estes fumadores se abstenham de fumar no seu local de trabalho.
Parece ainda que o senhor que manda na dita empresa que publicou o anúncio, e segundo o Público, considera que «os fumadores não têm o nível de inteligência» necessária para trabalhar para ele, porque «fumar é idiota»!
Ora bom, diz o Francisco Viegas, e eu cá assino em baixo a caneta de tinta permanente (ai que ando com umas piadas tão secas – deve ser por ser fumadora, só pode!):
«Evidentemente que qualquer candidato a um emprego na [nome da empresa em causa] poderá mentir; está no seu direito e constitui, mesmo, se for fumador, um dever moral. Não pode ver-se privado dos seus direitos pelo facto de, ao fim da tarde, no intervalo de almoço ou na sua vida privada, decidir fumar um cigarro ou um charuto. Portanto, vê-se na obrigação de mentir. Nenhum patrão, nenhum director, ninguém, tem a ver com o facto de, fora das horas de trabalho ou do horário social (em que existem regras de comportamento expressamente definidas), um cidadão poder fumar a sua cigarrilha. Que os hipócritas e tarados de Bruxelas aceitem vedar o emprego a um cidadão por ele fumar fora do local de trabalho, é a confirmação da insanidade.»
Insanidade. De facto. O mundo está insano. Senão, vejam só esta historinha, contada também pelo escritor no artigo de hoje:
«Conto-lhes uma história há uns anos, em Nova Iorque, no final de um seminário que ocupou cinco dias de trabalho, houve um jantar comemorativo. A comida era banal mas era festa. No final, enfiados em fatos de cerimónia e "smokings" (outra palavra que vai sair do nosso vocabulário), cinco almas mediterrânicas e mais uma dezena de americanos, rondávamos pelas salas do edifício em busca de uma sala para acender os nossos charutos. Nada. Até que um cidadão, solícito, veio buscar-nos e nos levou para uma sala onde havia, sobre uma mesa de vidro, alguns fios de cocaína que se destinavam aos convidados. Não recusei escandalizado; mas recusei (até hoje, aliás). Os meus pares fizeram o mesmo - mas um de nós disse: "Ah, isso não queremos, obrigado, mas se pudéssemos acender um charuto em algum lugar" O homenzinho recuou, como se tivesse visto o velho Satã: "Ah, fumar é proibido."»
O que teremos a seguir? «Se tira macacos do nariz quando está sentado em sua casa a ver televisão, pode abster-se de concorrer». Tirar macacos do nariz é idiota, ainda que não cause cancro nos pulmões.
Diz o Francisco, em tom premonitório:
«A seguir, quem tiver colesterol alto, pneu na barriga, ou gostar de feijoada, pode começar a temer pelo seu emprego a Comissão Europeia, tal como o desejo de Hitler, quer um homem novo, totalmente novo, higienizado e inodoro. E já estão no poder, os pequenos fascistas.»


Fascistas e filhos da puta.